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Mulheres do Brasil

8 mar

Mulheres! Hoje é o dia de todas elas: das lutadoras, sonhadoras, guerreiras, frágeis e esportistas. Nada mais justo do que o Salto na Bola, blog só de mulheres, prestar uma singela homenagem a alguns nomes que fizeram história no mundo esportivo.

Sim, é a competitividade que responde por muito da beleza do esporte. Mas também é verdade que as mulheres dão a sua contribuição.

Quem não se lembra – ou pelo menos já não ouviu falar – da novata Janeth e das experientes Hortência e Magic Paula? Estas foram, simplesmente, as melhores jogadoras de basquete que o Brasil já teve. O grande momento do nosso basquete começou com o ouro no Pan-Americano em Cuba (1991) e seguiu firme para as conquistas do Mundial da Austrália (1994) e a medalha de prata em Atlanta (1996).

Por um período, a modalidade foi a segunda paixão dos brasileiros. Na final do Mundial de 94, contra a China, o time comandado pelo trio de estrelas ainda contava com nomes de peso, como  Helen, Leila, Adriana, Ruth, Roseli, Cíntia, Alessandra, Dalila e Simone. Era, de fato, a melhor seleção do planeta.

A ginástica também é uma modalidade que nos traz muita alegria. Pequenina, com movimentos certeiros e uma determinação de dar inveja: Daiane dos Santos é o nome da ginástica brasileira. O solo é o seu cartão de visitas. E, ao som de “Brasileirinho”, a ginasta fez várias apresentações emocionantes.

Também houve drama. Em 2003, Daiane foi submetida a uma cirurgia quando faltavam apenas 30 dias para o Pan-Americano de Santo Domingo. Mesmo com esse contratempo, ela ajudou na conquista do bronze por equipes. Duas semanas depois, vinha o Mundial de Anaheim, nos EUA. A competição classificaria as seleções para as Olimpíadas. A pequenina se superou: campeã mundial 45 dias após a cirurgia.

Para quem acompanha nosso blog, já está nítido que nossa grande paixão é o futebol. Sendo assim, não podíamos deixar de citar a melhor de todas: Marta.

Conhecida como “Pelé de Saias”, a alagoana foi escolhida cinco vezes seguidas a melhor jogadora do mundo – recorde jamais atingido por nenhum jogador de futebol masculino. Defendendo a seleção brasileira, Marta conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007, além de liderar a artilharia da competição, com 12 gols. Foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008.

Nosso atletismo também está repleto de nomes que fizeram e ainda fazem história. Ser eleita a melhor atleta da década é para poucos. Mas não para  Maurren Maggi. Saltando 7,04m nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a saltadora brasileira garantiu o prestígio e o ouro na competição – o primeiro feminino da história.  Mas uma carreira não é construida apenas com glória e fama. Em 2003, Maurren foi suspensa do Pan-americano de Santo Domingo por doping, ficando fora também dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Os nomes não param de surgir: Adriana Behar e Shelda (vôlei de praia); Leila, Jaqueline, Sheila, Fernanda Venturini e Paula Pequeno (vôlei de quadra); Fabiana Murer (atletismo); Maria Lenk (natação); Jade Barbosa e Daniele Hypólito (ginástica).

São muitas as representantes da nossa nação. Seria preciso mais de um blog para homenageá-las. Para as que não foram citadas, sintam-se agraciadas pela intenção que partiu de alguém que admira a garra e a coragem de vocês.

E para você?  Qual esportista feminina mais marcou sua vida? Deixe um comentário e conte para nós.

O torcedor e as desculpas

4 mar

Torcedor de futebol é um bicho engraçado. São vários tipos. Tem aquele que é tão calmo, que não se altera nem com gol adversário. Tem o que não liga, que não sabe nem quando o time joga. Tem o que torce, sabe tudo, mas sabe ser ponderado. E tem, claro, os fanáticos. Em comum eles têm a paixão pelo time que torcem. Mas cada um torce da sua maneira.

De todas as reações que envolvem o torcedor, a que mais me fascina é a dificuldade que eles têm em dar o braço a torcer. O time perde e a culpa é do árbitro, do jogador, do treinador. Sempre tem uma desculpa. É tão difícil você ouvir um torcedor dizendo: “Caramba, meu time jogou muito mal hoje. Não merecia vencer.” Ninguém quer ver seu time perder, claro. Mas temos que saber quando o resultado é justo, ou não. Se você quer achar o motivo pelo qual seu time perdeu, tem de avaliar tudo que envolve um jogo de futebol. Os erros, os passes, os gols, os treinos da semana, a escalação do time adversário, entre outras coisas.

Mas, vamos voltar à parte que me faz rir sempre. Quando o árbitro apita o final do jogo, você já sabe que terá uma série de piadas e tiradas te esperando nas redes sociais. Hoje, por exemplo, o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0 e tirou a invencibilidade do time da capital. Os santistas não perderam tempo e publicaram brincadeiras, chamaram os corintianos de freguês e coisas do tipo.

E aí veio a tal resposta que me faz rir: “Nós perdemos para o Santos com os reservas e ainda somos líderes.” Sim, é verdade. Mas o jogo de hoje o Corinthians perdeu.

E é sempre assim. Todo fim de jogo lemos as mesmas “desculpas”. “Perdemos, mas ainda somos líderes”. “Empatamos, mas ainda estamos invictos”. “Perdemos, mas estamos na Libertadores”. E não é só o torcedor do Corinthians, não. O do São Paulo faz também: perde um jogo e diz que é tricampeão mundial. O do Santos perde e diz que tem Neymar. O do Flamengo diz que tem a maior torcida. E por aí vai…

Não é uma crítica. Longe disso. Apenas acho engraçadas essas reações fanáticas. Mas, futebol é uma das coisas que não se pode discutir ou contestar. Principalmente com torcedor fanático. É uma atitude completamente em vão. Afinal, torcedor de verdade sempre defende o seu time. Não importa em qual situação.

Torcedor é mesmo um bicho engraçado. Mas é disparado uma das coisas que mais aprecio no futebol.

Se não é sofrido, não é Corinthians!

1 mar

O momento mais glorioso dos 90 minutos de um jogo de futebol todos nós sabemos qual é: o gol. A cada bola na trave, a cada chute fora da área o grito fica preso na garganta, esperando a hora certa de vibrar. Torcedor que se preza acompanha e empurra o time até o apito final. Este fato tem se repetido em alguns jogos do Corinthians. Ontem, acompanhando a vitória suada do Timão em cima do inexpressivo Catanduvense ficou ainda mais claro que a torcida é o 12º jogador. Parece que o Alvinegro paulista leva a sério o que alguns torcedores dizem: se não é sofrido, não é Corinthians!

Elton comemorando na estréia do Paulistão 2012

A estreia do Paulistão 2012 foi um aviso de que o ano não seria dos mais fáceis para o atual campeão brasileiro. Contra o Mirassol, o Timão sofreu para arrancar uma vitória aos 43 minutos do segundo tempo, com gol contra de Dezinho. Xuxa abriu o placar para o Mirassol, e Elton marcou na segunda etapa.

Menos de um mês depois da estreia, foi a hora de dar o pontapé inicial na competição que atormenta toda a Nação: a Libertadores. Qual torcedor não roeu todas as unhas e perdeu o sono no jogo contra o Deportivo Táchira no dia 15 de fevereiro? Um dos gols mais sofridos. O jogo já estava nos acréscimos. Uma falta pela esquerda e a cabeçada pontual de Ralf aos 48′ selou o empate que teve sabor de vitória.

Ralf comemorando o empate na Venezuela

E para não perder o costume, a 11ª rodada do Paulistão também foi cheia de emoção. O Catanduvense soma 7 pontos, enquanto o líder alvinegro soma 29. Mesmo com essa diferença drástica de posição, o Corinthians sofreu, e muito, para arrancar a vitória e se manter invicto na competição.

Primeiro o pênalti perdido pelo meia Alex. Na primeira cobrança uma invasão fez o juiz voltar o lance. Na segunda, bola na trave. Depois o cabeceio do volante Paulinho, que também parou na trave. No lance seguinte, a zaga alvinegra fez a maior lambança e Alessandro marcou contra. Aos 19 minutos, Chicão bateu por cima da barreira e também deixou sua marca na trave.

Mas a sorte estava ao lado do time do Parque São Jorge. Desta vez Paulinho não desperdiçou e mandou a bola para o fundo da rede. Aos 35 minutos a torcida inflou, empurrando o time para conquistar mais uma vitória. E ela veio, advinhem quando? Nos acréscimos. Aos 46 minutos, Danilo conclui. Firma a liderança e a ivencibilidade no Estadual.

Segunda cobrança de pênalti do meia Alex

Com esse histórico de sofrimento e resultados, a Fiel Torcida tem apoiado e feito sua parte. Os próximos dois confrontos do Corinthians são importantíssimos. No próximo domingo, pelo Campeonato Paulista, o Timão enfrenta o Santos, na reabertura da Vila Belmiro. Na quarta seguinte volta à Libertadores. Desta vez o jogo será no Pacaembu contra o Nacional-PAR.

Será que o time do povo vai honrar a camisa e a torcida trazendo mais duas vitórias no sufoco? Ou desta vez, o elenco comandado por Tite vai conseguir aproveitar melhor as oportunidades? Envolvendo o adversário com sua característica troca de passes e conseguindo um resultado mais convincente? Os próximos capítulos prometem. Vamos acompanhar o Bando de Loucos. Afinal, se não tem emoção, não é Corinthians!

Três cores

17 fev

Um coração dividido. Não, não estou apaixonada por outro homem. Estou bem satisfeita com o que tenho em casa. Mas na noite dessa quinta-feira, vi meu coração se dividir entre dois amores.

O primeiro deles me ensinou o que era futebol. Fez mais do que isso: me ensinou a amar esse esporte que domina a minha vida. Foi com ele que eu tive a oportunidade de ir a um estádio de futebol pela primeira vez. E faz tempo. Isso foi antes de eu sair da escola, de dar o primeiro beijo ou de realmente entender o que era futebol. Com ele, vi a minha primeira final de campeonato, meu primeiro acesso e a primeira classificação sofrida. Ele me ensinou algo importante: uma paixão pode até mudar de nome, cidade, mas jamais de cores. São sempre três.

O segundo foi arrebatador. Não tive a mínima chance contra ele. Cresci sabendo que tinha que gostar dele. Minha mãe me ensinou que ele era o melhor, desde pequena. Igual, não havia. Com ele, eu aprendi a ser grande, mas sem deixar de gostar de quem era pequeno. Viajei e conquistei o mundo. Mas o mais importante é que ele também sempre me ensinou que são três as cores do amor no futebol.

Sim, trabalhar como jornalista esportiva acabou fazendo com que aquele amor infantil se tornasse mais ameno. Deixasse de ser tão cego e irracional para se revestir de imparcialidade controlada, analítica e profissional. Mas, lá no fundo, quando vejo aquelas camisas, o amor da garotinha volta à tona.

Três cores: vermelho, preto e branco. São as cores dos meus amores. Paulista de Jundiaí e São Paulo. O primeiro eu cresci amando. O segundo nasceu dentro do meu coração. As duas equipes se enfrentaram ontem, no Morumbi, em partida válida pelo Campeonato Paulista. Foi difícil. Preferi não assistir à partida. Mas não deixei de acompanhar o “tempo real” pela internet.

Foto: Ari Ferreira

O Paulista faz uma boa campanha na competição. Já chegou a ocupar a liderança do campeonato. O São Paulo também. Com o resultado de hoje, 3 a 1, o Tricolor da capital assumiu a segunda colocação, com 17 pontos. Já o Galo da Japi se manteve na quinta, com 13.

Sinceramente, não consigo desejar a derrota para nenhuma das duas equipes. Mas, nessa quinta, eu preferia que o Paulista tivesse voltado para Jundiaí com os três pontos na bagagem. Era mais importante para eles. Uma boa chance de se aproximar novamente dos líderes.

Claro que não fiquei insatisfeita com o resultado. Não teria como ficar. O ideal mesmo seria um empate.

No final das contas, é sempre bom ver os meus dois amores juntos. Ver essa mistura de tricolores. É bonito e faz bem aos olhos. Mas não me pergunte para quem eu torci. Esse é um segredo que não revelo a ninguém…

Foto: Wagner Carmo / Vipcomm

Só a critério de curiosidade: com os três gols que marcou na partida de hoje, Willian José se tornou o artilheiro do Estadual, com sete gols. O curioso é que ele está empatado com o atacante Hernane, do Mogi Mirim, que jogou no Paulista e era do São Paulo até o ano passado.

Linha do Tempo do Majestoso

13 fev

Meiões vestidos, saltos devidamente calçados. Eis que entro em campo oficialmente pelo Salto na Bola. Vamos nessa!

Meu primeiro texto tem a ver com algo MAJESTOSO. E não. Não é sobre o estádio da Ponte Preta, a Macaquinha da minha querida cidade de Campinas. O Majestoso a que me refiro tem a ver com tradição e rivalidade. Tem a ver com Campeonato Paulista. Tem a ver com o belíssimo Paulo Machado de Carvalho (ah, que saudade querido!), e também com o não menos belo Cícero Pompeu de Toledo. Esses caras adoram o Majestoso!!! Já sabe do que eu estou falando, né? Não?! Ok. Vamos clarear as idéias e apertar o “stop” nas gracinhas desta que vos escreve. É nervosismo de estréia, gente! (rs)

Bom, agora o momento é de objetividade. Até porque o papo é sério…ou nem tanto assim, vai. Ou, é?! Tá, tá. Tá bom (objetiva, Marcela… OBJETIVA!). Vamos falar de FUTEBOL. Sim. Eu bem tentei, mas não consegui fugir da minha grande paixão para começar a postar meus textos aqui no Salto. E nada melhor que iniciar falando do clássico mais Majestoso do país: Corinthians x São Paulo. Pronto. Desvendado o mistério. Toda essa firula, com grandes pitadas de enrolação, é só para expor algumas perguntas que eu mesma me fiz durante o clássico entre alvinegros e tricolores que rolou neste domingo. Foi o primeiro de 2012, e o Timão venceu por 1 a 0, gol de Danilo, aos 21 da primeira etapa. Para quem já sabia, foi bom reforçar. E para quem não sabia, melhor ainda, que a notícia veio fresquinha.

Voltando às perguntas que invadiram minha mente, dividirei-as entre primeiro e segundo tempo. Esse foi o jeito que encontrei de compartilhar, de uma maneira não convencional, o que achei da partida.

Eis a minha Linha do Tempo do Majestoso:

1º tempo

“O São Paulo esqueceu de tomar maracujina?”

“ Gostaria de entender: qual a dificuldade do Júlio César em fazer defesa FÁCIL?”

“Chuva de água e cartões amarelos?!”

“O Corinthians fazendo belas jogadas?!”

“O Jorge Henrique de 2008/2009 voltou?”

“O Danilo fez o gol?! Mais um em clássico?!”

“O Lucas é a única válvula de escape do São Paulo?!”

“Aquele Jadson, que pintaram como excelente jogador, está realmente em campo?”

“ Será que o Dênis não pode dar umas aulinhas para o Júlio César?”

“ O São Paulo tem o Cortez, mas ele tá jogando meio escondido, não?”

“Agora o São Paulo empatou? Não?! O Ralf salvou?!”

“Xi, pênalti para o São Paulo? E quem vai bater? Vai o Lucas?! Vai o Jadson?! O Jadson?!”

“ Perdeu o pênalti?! Chutou para fora?! COMO?! “

 

2º tempo

“O Corinthians, para variar, voltou morto?”

“O Júlio César pegou essa bola? Quando é difícil, ele pega, não? É quem nem dizem: oito ou oitenta, né?”

“Três substituições de uma vez só? O Leão pirou?! Bom, vai tirar o João Filipe, Jadson e quem mais?”

“Por quê o Casemiro? Não tirou o João Filipe?!”

“Expulsou o João Filipe? Tava na cara, né?! “

“O Leão dormiu?! Ele não tava vendo que o João Filipe tava batendo o tempo inteiro e que já tinha levado amarelo?”

“A torcida tá aplaudindo o Danilo?!”

“O Douglas tá perdidão em campo, né?”

“Até quando esses chutões horrorosos?”

“ Cadê o Rogério Ceni para bater essas faltas?”

“Esse juiz é dos menos piores do Paulistão, né?”

“Falta quanto para acabar o jogo?!”

“Acabou?”

“O FREGUÊS VOLTOU?”

Por hoje, é só. Tô descendo do salto!

Um novo ídolo chamado Marcos?

12 fev marcos-assuncao-comemora-gol-que-marcou-contra-o-goias-pelo-palmeiras-nas-semifinais-da-copa-sul-americana-1290043286601_615x300

“Eu te amo, Marcos Assunção!”, diz um torcedor, após mais um cruzamento preciso do camisa 20. “Artur, dá um beijo no Assunção”, completa um amigo dele. Essas foram apenas duas das muitas frases que ouvi no Pacaembu ontem, na vitória do Palmeiras sobre o Ituano, por 3 a 0, pela sétima rodada do Paulistão.

O carinho da torcida pelo volante pôde ser visto antes mesmo de ele estar no gramado. Quando o placar eletrônico anunciou os jogadores do Palmeiras, os mais de 11 mil torcedores gritaram e aplaudiram efusivamente o nome do jogador.

Assunção participou de dois dos três gols de seu time. O primeiro foi de Patrik. No segundo, Assunção cobrou falta na cabeça de Barcos, que marcou seu primeiro gol com a camisa do Palmeiras. O último gol do jogo também veio dos pés do volante. Após a cobrança de escanteio, Artur cabeceou para fechar o placar. Com as duas assistências de ontem, Assunção completou seis em 2012. Além disso, marcou três dos 15 gols do Verdão no ano.

Os palmeirenses mais jovens, ou que tenham acompanhado o Verdão apenas nos últimos anos, não têm muito como escapar da legião de admiradores do volante. Recentemente, em um treino do Palmeiras, vi um exemplo do que afirmo acima. Um garotinho de cerca de 7 anos foi com sua avó conhecer a Academia de Futebol e colecionar autógrafos. Então, um repórter o parou, e questionou: “qual é jogador que você mais gostaria de ver?” Marcos havia anunciado sua aposentadoria um dia antes. A resposta parecia óbvia. Para minha surpresa – e a de todos que acompanharam a cena – o garoto respondeu imediatamente: “Marcos Assunção.” Era um sinal.

Com a aposentadoria do Marcos no início do ano, o palmeirense se viu carente de alguém dentro de campo para confiar. Valdivia? Luan? Cicinho? A posição não ficou vaga por muito tempo. Depois de te sido a salvação da equipe no ano passado, o volante começou 2012 em ótima forma. Quem acompanha o jogo no estádio mal consegue acreditar que o número 20 já tenha 35 anos. Está correndo e até roubando bolas.

A comprovação de que ele é mesmo “o cara” do time, como muitos torcedores ao meu redor o definiram, foi o momento de sua substituição. Nos minutos finais da partida, Assunção deu lugar a Pedro Carmona. Foi aplaudido de pé por todo o estádio. Posso dizer, com toda a certeza, que até por alguns espectadores que não eram palmeirenses.

O exigente Felipão, em sua coletiva após o jogo, pareceu concordar comigo:

“Por todo o ano passado do Marcos Assunção e pelo o início do ano, acredito que a torcida possa ter outro Marcos como ídolo. Ele vem se portando de forma impecável em todos os fundamentos do jogo e ainda mais na bola parada”, disse.

Impecável: essa é a melhor definição para o volante. Não ouvi uma só reclamação, por menor que fosse, sobre ele na torcida. Aliás, se ele pudesse ouvir o que diziam dele nas arquibancadas, tenho certeza de que voltaria pra casa realizado.

Com todos os elogios, aplausos e até declarações de amor, Marcos Assunção continua humilde:

“Não sou ídolo do Palmeiras porque nunca ganhei nada com o time, então sou apenas mais um jogador. Eu quero é conquistar um título aqui”.

É só o que falta mesmo para que ele se torne um dos grandes ídolos da história do alviverde.

Voltar vale a pena? Para quem?

8 fev

Para dar início aos meus posts por aqui, resolvi falar sobre o assunto que mais gosto: o futebol.

No mundo da bola, o assunto dos últimos dias foi a probabilidade de o atacante Nilmar, do Villarreal-ESP, reforçar o São Paulo. A diretoria diz que está difícil. Mas vejo a novela se arrastando um pouco mais, ainda.

Desde que Ronaldo Fenômeno voltou para jogar no Corinthians, em 2008, essa prática de os jogadores retornarem da Europa para jogar no Brasil tem se tornado mais comum. Mas nem todos conseguiram sucesso. Alguns não desempenharam um bom futebol. Outros sofreram lesões. Houve ainda quem se envolvesse em confusões extracampo.

Um desses casos é o do atacante Adriano. Na sua primeira volta ao Brasil, em 2008, ele teve uma boa passagem pelo São Paulo: marcou 17 vezes em 28 partidas e não se envolveu em nenhum escândalo público. Retornou à Internaziole, onde teve seu primeiro grande surto. Em abril de 2009, abandonou os treinos e retornou ao Brasil, sem autorização do clube. Seu sumiço causou diversas especulações, até mesmo de que teria morrido. No fim, estava vivo e na favela da Vila Cruzeiro com seus familiares.

Depois do episódio, Adriano anunciou que pretendia parar de jogar por tempo indeterminado. Mas, ao contrário do que afirmara, assinou com o Flamengo, em maio. No Rio, a maré de coisas ruins parecia ter passado: conquistou o Brasileirão em 2009 e foi o artilheiro do campeonato, com 19 gols. No ano seguinte, fez sucesso ao lado de Vagner Love com o “Império do Amor”. Porém, a partir daí, uma sucessão de polêmicas tomou conta da vida e da carreira do atacante: problemas com a noiva – que ele chegou até mandar a amarrar em uma árvore -, problemas com álcool, envolvimento com traficantes de drogas e até fotos portando armas de fogo – que foram parar na imprensa. Após tudo isso, retornou à Itália, para jogar na Roma. Em março de 2011, seu contrato foi rescindido..

De volta ao Brasil, assinou com o Corinthians. Quando chegou, precisou entrar em forma e depois sofreu um rompimento no tendão de Aquiles. Estreou em outubro, mas para a sua sorte não passou o ano em branco: marcou o gol da vitória sobre o Atlético-MG – em novembro – que garantiu o título do Brasileirão para o clube paulista. No fim de 2011, a última confusão: na véspera de Natal, uma garota foi baleada na mão dentro do carro do jogador. Ufa! Quanta confusão para um só jogador.

Outro que também vem se envolvendo em polêmicas é o meia Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo. Depois de passagens por Barcelona e Milan, o craque resolveu retornar ao Brasil no ano passado. A negociação não foi nada fácil, além de muito polêmica. Depois de um leilão feito por seu irmão e empresário Assis, que envolveu Grêmio, Palmeiras e Flamengo, o meia assinou com o clube carioca.

A trajetória de Gaúcho após o seu retorno é um pouco menos complicada que a de Adriano. Com a camisa do Flamengo, o meia conquistou a torcida e o Campeonato Carioca de 2011. Foi só a partir do final do ano passado que ele começou a se envolver em polêmicas. Primeiro, teve divulgado um vídeo em que estava nu e fazendo intimidades na webcam. Depois, iniciou uma disputa com o treinador Vanderlei Luxemburgo – que acabou de ser demitido. Existem diversas versões sobre a causa dessa briga. Uns dizem que Luxa o surpreendeu com mulheres na concentração. Outros dizem que ele se cansou das regalias concedidas ao meia.

Outro atleta que se envolveu com problemas em baladas e com mulheres, foi o meia Valdivia do Palmeiras. Apesar de não ser brasileiro, ele se tornou um dos grandes ídolos do Verdão na sua primeira passagem entre 2006 e 2008. Em julho de 2010, o chileno voltou a usar as cores do clube paulista. Sua segunda passagem decepciona a torcida, pelo menos até o momento. Seus números em 2011 são a prova disso. Valdivia esteve presente em apenas 28 partidas – de um total de 69 -, marcando quatro gols. Primeiro, teve problemas com o treinador Felipão. Depois, lesões que o afastaram dos gramados. Além disso, também teve problemas com um fotógrafo que o flagrou com outra mulher em uma festa, em São Paulo. Em 2012, ao menos, o Mago começou dando esperanças aos torcedores. Em suas primeiras partidas, apresentou um bom futebol.

Dos últimos craques que retornaram ao Brasil, o único que não se envolveu em polêmicas – pelo menos por enquanto – foi o atacante Luís Fabiano, do São Paulo. Mas, ele também não correspondeu às expectativas dos torcedores do Tricolor. Assinou com o clube em março de 2011, por R$ 17,5 milhões. Antes mesmo de estrear, porém, sofreu com lesões no joelho e só jogou em outubro. Fora de forma, não apresentou o futebol que estávamos acostumados a ver. Em 2012, o atacante promete dar a volta por cima. Mas Fabuloso já sofreu nova lesão. Dessa vez, o problema foi um estiramento na coxa direita. Ele só deve voltar a jogar no meio de fevereiro.

Quatro casos que poderiam ter dado muito certo e não deram, seja por lesões ou polêmicas. Esse histórico preocupa o torcedor do São Paulo no caso Nilmar. Apesar de ser o que podemos considerar um “bom garoto”, que não se envolve em confusões, o atacante tem um histórico bem grande de lesões. O próprio Leão, treinador do Tricolor, já falou sobre o assunto, em entrevista  coletiva.

Voltar para Brasil após conquistar sucesso lá fora pode ser uma ótima ideia para os grandes craques do futebol. Afinal, é aqui que estão os torcedores que os fizeram ser tão grandes. Mas, pelo que podemos ver, pode também ser uma experiência meio complicada. Será que Nilmar, se vier, conseguirá fugir das “maldições” e jogar todo o futebol que conhecemos?

E aí Nilmar?