Um coração dividido. Não, não estou apaixonada por outro homem. Estou bem satisfeita com o que tenho em casa. Mas na noite dessa quinta-feira, vi meu coração se dividir entre dois amores.
O primeiro deles me ensinou o que era futebol. Fez mais do que isso: me ensinou a amar esse esporte que domina a minha vida. Foi com ele que eu tive a oportunidade de ir a um estádio de futebol pela primeira vez. E faz tempo. Isso foi antes de eu sair da escola, de dar o primeiro beijo ou de realmente entender o que era futebol. Com ele, vi a minha primeira final de campeonato, meu primeiro acesso e a primeira classificação sofrida. Ele me ensinou algo importante: uma paixão pode até mudar de nome, cidade, mas jamais de cores. São sempre três.
O segundo foi arrebatador. Não tive a mínima chance contra ele. Cresci sabendo que tinha que gostar dele. Minha mãe me ensinou que ele era o melhor, desde pequena. Igual, não havia. Com ele, eu aprendi a ser grande, mas sem deixar de gostar de quem era pequeno. Viajei e conquistei o mundo. Mas o mais importante é que ele também sempre me ensinou que são três as cores do amor no futebol.
Sim, trabalhar como jornalista esportiva acabou fazendo com que aquele amor infantil se tornasse mais ameno. Deixasse de ser tão cego e irracional para se revestir de imparcialidade controlada, analítica e profissional. Mas, lá no fundo, quando vejo aquelas camisas, o amor da garotinha volta à tona.
Três cores: vermelho, preto e branco. São as cores dos meus amores. Paulista de Jundiaí e São Paulo. O primeiro eu cresci amando. O segundo nasceu dentro do meu coração. As duas equipes se enfrentaram ontem, no Morumbi, em partida válida pelo Campeonato Paulista. Foi difícil. Preferi não assistir à partida. Mas não deixei de acompanhar o “tempo real” pela internet.
O Paulista faz uma boa campanha na competição. Já chegou a ocupar a liderança do campeonato. O São Paulo também. Com o resultado de hoje, 3 a 1, o Tricolor da capital assumiu a segunda colocação, com 17 pontos. Já o Galo da Japi se manteve na quinta, com 13.
Sinceramente, não consigo desejar a derrota para nenhuma das duas equipes. Mas, nessa quinta, eu preferia que o Paulista tivesse voltado para Jundiaí com os três pontos na bagagem. Era mais importante para eles. Uma boa chance de se aproximar novamente dos líderes.
Claro que não fiquei insatisfeita com o resultado. Não teria como ficar. O ideal mesmo seria um empate.
No final das contas, é sempre bom ver os meus dois amores juntos. Ver essa mistura de tricolores. É bonito e faz bem aos olhos. Mas não me pergunte para quem eu torci. Esse é um segredo que não revelo a ninguém…
Só a critério de curiosidade: com os três gols que marcou na partida de hoje, Willian José se tornou o artilheiro do Estadual, com sete gols. O curioso é que ele está empatado com o atacante Hernane, do Mogi Mirim, que jogou no Paulista e era do São Paulo até o ano passado.




















